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PRESBIOPIA, FILATELISTAS E EXPOSIÇÕES


Hélion de Mello e Oliveira



Durante a BRAPEX 88 um companheiro comentou que as boas peças de uma coleção deveriam ser preferentemente colocadas nas filas centrais dos quadros expositores.

Realmente, o astuto filatelista tem toda a razão. A primeira e a última fileira, são de difícil visualização, motivo pelo qual, seriam desprezadas pelos visitantes e talvez até pelo júri !!!

Este fato tem uma explicação de ordem óptica. Nossos olhos para visualizarem objetos próximos, com nitidez, cerca de 30-35 cm, necessitam de uma focalização que é exercida automaticamente pelo cristalino/zônula/músculo ciliar.

Este mecanismo vai diminuindo progressivamente com a idade, até que em torno dos quarenta anos necessitamos de lentes oftálmicas para substituir a acomodação perdida ou diminuída. Este fenômeno recebe o nome de PRESBIOPIA.

Estatisticamente sabemos que grande número dos apreciadores da filatelia e dos Membros de um corpo de jurados já passaram dos quarenta, e as vezes há muito tempo! Isto leva a necessitarem de lentes corretoras para suas eventuais ametropias para longe e a correção da presbiopia para a visão próxima.

Estando com seus óculos corretos, o filatelista, para apreciar as “maravilhas” que se encontram nos quadros expositores, devem estar a uma distância de 35 a 40 cm dos mesmos. Nestas condições sua visão estará sendo exercida através da lente para perto. Três situações poderão ser consideradas:

1. Lentes mono-focais: óculos só para perto, que eventualmente poderão ser usados pelos que tem correção para longe, corrigidas por lentes de contato.
2. Lentes bifocais e
3. Lentes multifocais.

Em quaisquer das hipóteses as fileiras superiores e inferiores dos quadros ficarão fora da posição ideal de focalização, obrigando o interessado a corrigir a posição da cabeça quer levantando-a para a visão das fileiras superiores ou ficando de cócoras para ter foco nas inferiores.

Aqui passamos de um problema oftalmológico para um problema ortopédico! É sabido que nas idades maiores aumentam as patologias articulares e da coluna cervical (tipo “bico de papagaio”, etc.) o que aumenta em muito, o sofrimento do interessado filatelista para poder apreciar o material exposto. Imaginem a situação do nosso suposto companheiro se tiver que enfrentar uma grande exposição, com abundante material interessante !!!

Estas considerações de ordem médica nos levam a dar razão ao nosso companheiro da BRAPEX paulista, quando dizia apreciar só as folhas expostas nas fileiras centrais.

Concluindo estes comentários, poderíamos sugerir aos responsáveis diretos pelas nossas tão apreciadas exposições, como dirigentes da ECT, FEBRAF, Federações estaduais e diretores dos clubes filatélicos em geral, que a simples mudança na posição dos quadros poderá atenuar o problema.

Atualmente são montados verticalmente - medindo 120 x 80 cm - permitindo colocação de 12 folhas (22x28 cm). A montagem horizontal aumentaria o espaço necessário, porém permitiriam 15 folhas por quadro, o que compensaria o inconveniente citado.

Conclamamos as autoridades filatélicas a pensarem neste assunto e lembramos aos filatelistas que ainda não ultrapassaram os quarenta, que o farão um dia!

 

Publicada em “TEMÁTICA HOJE”  (AMIFITE) - Outubro / 1991