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Telecartofilia e Temática - 3

Fonte: http://www.colecionismo.com.br/cartoes/tematicos/tematicos_005/index.htm

Autor: José Marques Barboza

 

A maneira mais moderna e mais cultural de se colecionar selos, é fazer uma coleção temática. A Filatelia tem 160 anos (a Inglaterra emitiu o primeiro selo em 1840). Já passou por fases gloriosas e outras nem tanto! A evolução nas últimas décadas foi notável.
Das coleções de "quadras" e de "um selo atrás do outro", a Filatelia passou a expor coleções de Aerofilatelia, História Postal, Inteiros Postais, Temática, Carimbologia, Maximafilia, etc.
Nas grandes Exposições Filatélicas, já passa de 50% as participações temáticas.
Comemorando o Jubileu de Prata do aparecimento do primeiro Cartão Telefônico emitido pela Itália em 1976, muitos estudiosos já cogitam sobre a realização de Exposições de Telecartofilia. Ainda não temos grandes exposições de CT no Brasil. Mas quando forem realizadas, certamente as coleções temáticas terão grande aceitação. Caso contrário, as coleções seriam muito repetitivas..., o que as tornaria pouco atraentes. Daí o entusiasmo do Centro Temático de Campinas em divulgar a maneira temática de colecionar Cartões Telefônicos. Muitos ensinamentos da Filatelia serão aproveitados para estabelecer as bases da Telecartofilia Brasileira, aliás, como ocorre no mundo todo.

A primeira Exposição de Cartões Telefônicos no Brasil, foi realizada em Campinas, em novembro de 1992, comemorando os 15 anos do CPqD. Foi logo após o aparecimento dos primeiros Cartões Telefônicos do país. Não foi competitiva, mas já mostrou as possibilidades do novo tipo de colecionamento: a Telecartofilia.

CONCEITO
Ao contrário das coleções comuns, em que se coleciona os CT na seqüência cronológica de suas emissões, na coleção temática não importa a data ou o lugar onde ele apareceu. Vale a relação entre a figura do CT e o assunto desenvolvido na coleção. O desenvolvimento do tema sim, deve ter uma seqüência lógica, como se o colecionador fosse escrever um livro, defender uma tese ou dar uma aula sobre o assunto escolhido. . .
As figuras dos CT vão ilustrar as afirmações contidas no texto. O valor da coleção é contado pelo plano da coleção, pelas informações transmitidas no texto, pela conservação e raridade das peças expostas, pelo visual do conjunto, etc.
Quem começou, a partir de 1992, a colecionar TODOS os CT do Brasil, logo foi perdendo o entusiasmo, pois as emissões foram aumentando de tal forma que mais ou menos 80% dos iniciantes desistiram
.
O Brasil já tem hoje, mais de 12.000 CT. É um absurdo querer-se comprar TODOS os CT do Brasil, só para dizer que os possui... Parece-nos muito mais lógico e prudente, fazer-se uma coleção temática sobre qualquer assunto que apareça nos cartões brasileiros e mais alguns estrangeiros. Menor o custo, maior a utilidade e muito mais gratificante estudar com profundidade um determinado tema.

PRIMEIROS PASSOS
Para você fazer uma Coleção Temática, será necessário passar, preliminarmente,
por três "es", a saber:

Escolher o tema Estudar o tema Escrever sobre o tema

Escolher o tema, nem sempre é muito simples. Você pode escolher um tema relativo à sua profissão, pois já entende do assunto... e vai aprender muito mais! Ou fora da sua profissão, para que seja realmente laser, isto é, desligar das obrigações diárias e passar a se interessar por um assunto diferente e aprender!!! Para qualquer tema que se sugerir, existe material suficiente para desenvolver uma coleção. É só "correr atrás"!
É aconselhável não escolher um tema muito abrangente, como Esportes, Fauna, Meios de Transporte, mas restringir-se à, por exemplo, Futebol, Macacos, Aviação. Também não cair no exagero oposto, circunscrevendo a coleção apenas a uma área para a qual não exista material suficiente: Os futebolistas de Mato Grosso, o Mico Leão ou os Aviões da Embraer. Dá para perceber que o bom senso é que orienta a criatividade do colecionador.

Estudar o tema é fundamental para o sucesso de sua coleção. O fascinante na tarefa de fazer uma coleção temática de CT, é justamente o aprendizado cada vez mais profundo do tema escolhido. Quanto maior o número de fontes de informações, melhor: livros, revistas, folhetos, recortes de jornais, conversas, palestras, televisão, internet, etc. O colecionador deve estabelecer um método para arquivar as informações que for adquirindo, para facilitar o acesso, na hora que delas precisar, principalmente ao comprar material para a coleção.
Determinados temas podem ser estudados com muita facilidade, dada a imensa literatura existente (olimpíadas, aves, ferrovias). Outros requerem uma busca mais trabalhosa e até uma pesquisa pessoal às vezes cansativa, mas com certeza gratificante. Tudo depende do enfoque que o colecionador pretende dar ao desenvolvimento do tema escolhido. Daí resulta a beleza da coleção temática: numa exposição, pode-se ver quatro coleções sobre aves, por exemplo, totalmente diferentes entre si. Dada a abundância de literatura sobre o assunto e a fartura de material já existente, cada uma delas vai apresentar uma diferente maneira de tratar o assunto, apresentando material bem diversificado.

Escrever sobre o tema é um exercício muito prazeiroso. À medida que a gente estuda, vai se tornando agradável escrever sobre o que aprendeu. A capacidade de resumir deve ser bem treinada. Pouco texto, para que as pessoas prestem mais atenção aos CT, mas que aprenda algo mais com o texto apresentado. O texto na coleção temática não deve exceder, normalmente, a quatro linhas por folha. A distribuição delas deve ser diferente em cada folha, para não ficar monótona: duas linhas em cima e duas no meio; as quatro em baixo; seis a sete linhas na metade da largura da folha; somente duas ou tres linhas em algumas folhas e assim por diante, tornando a apresentação bem variada e agradável aos olhos.

Coleção Tradicional - cada cartão telefônico é acompanhado de outro, ou outros, mostrando o verso Coleção por Assunto - esta página é como um índice, mostrando diversos tipos de transportes terrestres
Decidir o título é um ponto muito importante. Não deve ser muito abrangente e nem específico demais. Mas, deve ter tudo a ver com desenvolvimento do tema. É de fundamental importância a coerência entre o título da coleção e dos capítulos com texto explicativo do tema.

Exemplos de coleções filatélicas temáticas conhecidas:
A luz e as trevas -
Sobre Oftalmologia (Cegueira)
Anatomia do sorriso - Sobre Odontologia
Rios prisioneiros, energia em liberdade - Barragens
O Continente das Aves - Aves da América do Sul
O pulsar da vida - Sobre Cardiologia
Rotary, um ideal em marcha - Rotary International
Transporte vertical - Helicópteros

PARA EXPOR
Introdução
é uma pequena explicação inicial do que se pretende com a coleção. A Introdução e o roteiro podem vir numa página só ou nas duas primeiras páginas da coleção. Uma ou duas peças "de peso" devem estar presentes na folha de introdução. Também o nome e o endereço (postal e/ou eletrônico) do colecionador deve constar. Isto pode facilitar futuros contatos entre o expositor e algum visitante.
Roteiro ou Plano da Coleção é muito mais que um simples índice. Nele se explicita a divisão da dissertação que vai ser feita sobre o tema escolhido. Uma divisão didática do assunto é aconselhável, para facilitar o entendimento. Assim como a divisão proporcional entre os diversos capítulos: não deixar um capítulo com 25 páginas e outro com 4... O plano da coleção deve impressionar bem aos visitantes e principalmente aos que vão julgar a participação. Por isto deve ser elaborado com muito capricho, ter relação com o título e abranger claramente todos os aspectos do tema a ser apresentado. Para a participação em uma exposição, é fundamental um plano da coleção muito bem feito.
Por
apresentação, se entende o visual geral da coleção. Uma apresentação limpa, organizada, esteticamente distribuída, impressiona de início aos julgadores da Exposição. O impacto inicial pode causar um "amor à primeira vista" ao jurado e é uma boa chance de obter melhores pontuações. O contrário, uma apresentação descuidada ou mal feita, dá uma primeira impressão negativa, provocando o corte de muitos pontos.
A
aquisição do material para a coleção temática, é um detalhe que deve ser transformado em exercício de habilidade, paciência e negociação. Saber comprar é importante, mas saber esperar também. Para ilustrar determinada frase, é necessário, às vezes, esperar meses até ser encontrado o CT certo. Fazer trocas também ajuda muito na consecução de determinadas peças. É preciso procurá-las nas Teles, com os comerciantes, com outros colecionadores, etc.
O estímulo à troca de correspondência é outra conseqüência agradável do colecionismo. Ler numa revista que um colecionador da Paraiba tem certos cartões que seriam úteis à minha coleção, é uma tentação para entrar em contato com ele. E por que não ? Para isto existem: correio, telefone, fax, internet ...

Coleção de Estudos - o colecionador mostra uma fase da pesquisa do Eng. Nelson Bardini Coleção Temática - o colecionador considera até a utilidade do uso das penas dos pássaros

Observações:
a) Os procedimentos que comentamos não precisam ser realizados obrigatoriamente na ordem como foram expostos! Você talvez já tenha um bom material; então é só decidir o título e organizar a sua coleção temática, a partir do Plano da Coleção. Se você já tiver decidido pelo título, deve partir para a aquisição do material e assim por diante. Mas estudar o tema, você nunca pode abdicar. Pois a coleção temática é sempre dinâmica: Você estará sempre estudando, adquirindo peças e acrescentando à sua coleção, melhorando-a constantemente. Na coleção temática, não se usa aquela expressão antiga: "Fechei a coleção!" Por isto é que uma coleção temática pode "fazer carreira" nas exposições: tirou uma medalha de bronze? Melhore a sua coleção. Na próxima, poderá receber uma medalha de prata!
b) Uma observação importante é que: nenhum outro material pode ser incluido no corpo da coleção, como fotos, cartões postais, recortes de jornais, etc., mesmo que muito útil para esclarecer detalhes do tema desenvolvido. Até desenhos e enfeites gráficos, devem ser evitados: pequenos desenhos, logotipos, mapas, etc.

CONHECIMENTOS
Todo o texto apresentado deve demonstrar os conhecimentos do colecionador sobre o tema escolhido. Quanto mais informações contiver, mais pontos ganhará na classificação para a premiação. Todavia, sem ser prolixo: resumir é uma arte!
Na Filatelia, o colecionador deve demonstrar mais que os seus conhecimentos sobre o tema, também os seus conhecimentos filatélicos, isto é, conhecer os tipos de peças existentes, além dos selos, como: carimbos, inteiros postais, franquias mecânicas, pré-filatélicos, máximos postais, etc.
Na Telecartofilia cabe a mesma exigência: o colecionador deve demonstrar que conhece, além do tema que apresenta, também algo mais sobre Telecartofillia, como uma variedade, um cartão experimental, um folder, um cartão magnético, outro com chip, e por aí afora.
É claro que, na avaliação entre várias coleções, o colecionador que demonstrar mais conhecimentos e colocar material mais variado, terá mais pontos. Estes conhecimentos ficam evidentes através das "cotações", isto é, pequenas observações colocadas abaixo das peças (em letras menores), esclarecendo ser, por exemplo, um cartão para teste, uma variedade de cor, um verso invertido, uma impressão deslocada, etc.

MONTAGEM DA COLEÇÃO
A montagem é a fase final, mas não é definitiva, pois uma coleção temática é sempre dinâmica. Sempre que se conseguir mais material adequado, poder-se-á acrescentá-lo à coleção.
Na primeira página, deve constar (com letras grandes) o título da coleção para que o visitante saiba do que se trata.
Em seguida deve haver um texto de introdução da coleção. Aí se justifica o título e se esclarece a finalidade da coleção: o que ela vai mostrar e a que conclusão pretende chegar.
Nesta página, uma peça muito boa ou rara, ligada ao título e bem conservada deve ser incluída, para dar uma boa primeira impressão. No final desta página e em letras menores, o nome do expositor, acompanhado do seu endereço postal, telefônico ou eletrônico(ou os três). É uma oportunidade para futuros contatos.
A
estética deve ser a primeira preocupação do futuro expositor. Um visual agradável destaca a coleção. A posição dos cartões na folha deve variar, intercalando CT verticais com os horizontais e não separando só CT verticais numa folha e só horizontais em outra.
A
distribuição do texto, também é muito importante: quatro linhas seguidas, ou duas na parte superior e duas em baixo, ou todas no meio da folha, ou sete oito linhas num quadrante da folha. Tudo feito com a maior preocupação de ordem e estética.
A
fixação dos CT na folha deve ser feita através de um saquinho plástico, de preferência com uma moldura negra, conseguida através de uma folha de papel preto colocado atrás do CT, e este dentro do saquinho plástico transparente que o contem. Jamais grudar o próprio CT na folha!

CONCLUSÃO é a última página, que pode ter um texto maior, onde se analisa o objetivo da coleção: foi conseguido ou não. São as últimas considerações sobre o tema escolhido e desenvolvido na coleção. Mas deve contar com pelo menos uma peça, de preferência uma peça importante, de grande peso temático, para fechar "com chave de ouro" a coleção.

ACABAMENTO
Uma vez montada a coleção, cada folha deverá ser protegida por um saco plástico na medida já enunciada: 28cm de altura por 22cm de largura. Se o saco tiver maior altura, poderá ser dobrado para trás, afim de ser encaixado no quadro expositor. Uma folha de papel sulfite 60 ou 80kg, pode ser incluída para dar maior consistência ao conjunto de cada folha, facilitando o seu manuseio durante a montagem e desmontagem da exposição.
É obrigatória a numeração, para que sejam expostas na seqüência correta. Esta numeração deve ser bem visível no verso de cada folha, de preferência num dos cantos inferiores.
Afim de se evitar a perda de alguma folha que por acaso caia e se distancie do conjunto da coleção, aconselha-se imprimir o nome e endereço do colecionador no verso de cada uma delas.
Seguindo a orientação adequada, sua coleção será bem apresentada e terá muitas chances de merecer uma boa medalha, mas um pouco de humildade faz muito bem a qualquer expositor! Não espere uma medalha de ouro na primeira vez que participar de uma exposição. Observe à sua volta, quantos colecionadores se animaram a expor a própria coleção. Lembre-se dos ideais olímpicos: Competir já é uma vitória. E é competindo que vamos engrandecer a Telecartofilia Brasileira !
Vamos montar as nossas coleções temáticas ?

Definições e Diferenças

Definições: a coleção por assunto é praticamente um "ajuntamento" de CT sobre o mesmo assunto. Geralmente é o embrião de uma futura coleção temática.
A coleção temática exige um título e um plano da coleção que seja coerente e abrangente. O desenvolvimento da coleção temática deve ter uma seqüência lógica e uma conclusão. Deve conter CT que demonstrem os conhecimentos do colecionador sobre o tema desenvolvido e sobre Telecartofilia.
A coleção de estudos ou de pesquisa, conta a história de um Sistema de Telefonia Pública: Óptico, Magnético, Chip ou Indutivo. Deve incluir peças que não são propriamente CT, para valorizar a pesquisa.
Diferenças: Entre as duas primeiras, a diferença é que, na Temática, é imprescindível o texto e o Plano da Coleção, que deve ser coerente com o título.
Entre a Temática e a de Estudos é que:
na Temática, você escreve e depois acha o CT para ilustrar o texto.
na de Estudos você acha a peça, pesquisa-a e depois escreve sobre ela.

DICAS
Em cada setor, Você pode determinar um tema para concentrar os seus estudos.
>> Fauna - Zoologia, Aves, Macacos, Cães, Gatos, Cavalos e muitos outros.
>> Flora - Botânica, Rosas, Orquídeas, Praças famosas, Grandes jardins, etc.
>> Transportes - Aéreo: Aviões, Helicópteros,Passageiros, Aeroportos, etc. Terrestre: Ferroviário, Rodoviário, c/Cachoros, c/Burros, etc. - Marítimo : Curta distância = canoas, balsas, botes, ferry boat, etc. Longa distância = caravelas, navios, chatas, etc.
>> Esportes - Estádios, Olimpíadas, profissionais, clubes, regras, etc. Cada um em particular: Futebol, Basquete, Atletismo, etc.
>> Brasil - História, Geografia física (Rios, Montanhas, Praias), Economia, Agricultura, Cidades, Etnias, Comidas típicas, Vultos célebres, e muito mais

Cada Estado do Brasil pode ser tema para uma linda coleção,usando CT do próprio, de outros Estados e até mesmo estrangeiros.
Lembrete: Uma coleção temática sobre cavalos, por exemplo, não mostra apenas CT com estampas destes animais, como numa coleção por assunto. Esta temática deve ter figuras de grandes veterinários, haras, hipódromos, jóqueis, troféus,etc.
José Marques Barboza é nosso colaborador, telecartofilista e filatelista. É membro fundador do CTC -Centro Temático Campinas e seu atual Coordenador Técnico (biênio 2010-2012)